Franciele Perin
Unochapecó
Resumo
Um dos desafios contemporâneos é a complexidade de equilibrar as demandas profissionais e pessoais em uma profissão de alta exigência, como a Contabilidade. As profissionais contadoras frequentemente enfrentam tensões estruturais, a exemplo da conciliação entre trabalho e família, sobrecarga de tarefas e falta de reconhecimento institucional, que podem impactar seu bem-estar e desempenho.
A pesquisa desenvolvida pela Mestre Franciele Perin, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis e Administração (PPGCCA) da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UNOCHAPECÓ), sob orientação da Prof.ª Dra. Mara Vogt e coorientação da Prof.ª Dra. Larissa de Lima Trindade, apresenta evidências relevantes sobre a influência do bem-estar no trabalho e do conflito trabalho-família no desempenho laboral de profissionais contadoras.
A pesquisa abordou este problema, a partir de uma abordagem quantitativa e com foco específico nas mulheres contadoras brasileiras. Os dados foram coletados por meio de um questionário eletrônico aplicado a uma amostra de 146 contadoras atuantes no Brasil.
A partir de teses estatísticos robustos, a pesquisadora conseguiu demonstrar que o bem-estar no trabalho exerce um impacto positivo e direto no desempenho laboral das profissionais contadoras. Isso significa que quanto maior o bem-estar percebido no ambiente profissional, melhor tende a ser o desempenho. O bem-estar no trabalho, compreendido como um estado afetivo-cognitivo positivo de satisfação, envolvimento e comprometimento organizacional, é fundamental para o engajamento e a produtividade.
Os resultados também indicaram que o bem-estar no trabalho contribui para reduzir a percepção de conflito trabalho-família. Níveis mais elevados de bem-estar estão associados a uma menor tensão entre as demandas profissionais e familiares.
No entanto, não foi possível constatar que a existência de conflito trabalho-família exerce efeito direto significativo sobre o desempenho laboral das profissionais contadoras. Para além disso, o conflito trabalho-família não demonstrou influência na relação entre bem-estar e desempenho. Este achado é destacadamente importante, ao contrastar com evidências empíricas de estudos anteriores. O resultado sugere que, na amostra estudada, outros fatores podem mitigar o impacto direto do conflito sobre a performance. Em outra perspectiva, o bem-estar impacta o desempenho de forma direta, sem a intermediação do conflito.
Em termos de implicações práticas e sociais, a pesquisa fornece subsídios valiosos para que organizações e entidades da área contábil desenvolvam estratégias que promovam um ambiente de trabalho mais equilibrado. Isso inclui a implementação de políticas que reduzam o impacto do conflito trabalho-família e potencializem o bem-estar, resultando na melhoria do desempenho laboral e, consequentemente, no fortalecimento das relações familiares. Tais estratégias podem abranger a flexibilização da jornada, programas de apoio psicossocial e ações de valorização profissional.
O estudo destaca que investir no bem-estar das contadoras não é apenas uma necessidade ética, mas uma estratégia de gestão que se reflete em maior produtividade, retenção de talentos e melhoria da qualidade dos serviços prestados. A relevância social da pesquisa se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ODS 5 (Igualdade de Gênero), ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico) e ODS 10 (Redução das Desigualdades).
A dissertação recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por meio do Programa de Suporte à Pós-Graduação de Instituições Comunitárias de Educação Superior (PROSUC).
